O Futuro vai além de S&OP

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Prever o futuro nunca é uma tarefa fácil. Uma vez li um artigo sobre o Futuro do Supply Chain, esperando ler sobre tendências nesta área, mas na verdade, se tratava de uma pesquisa entre profissionais, onde metade das pessoas que a responderam disseram possuir S&OP (Planejamento de Vendas & Operações) integrado, funcionando perfeitamente. No entanto não havia, na pesquisa, uma definição de S&OP. Então o resultado da avaliação foi realmente útil?

Nós reconhecemos dois níveis de S&OP. O primeiro nível compreende uma reunião anual onde as áreas de Produção, Vendas e Logística conversam entre si e há um segundo nível onde as áreas de Produção e Vendas já estão totalmente integradas em algoritmos de previsão, que podem tomar decisões com seis meses de antecedência ou em tempo real. Então, qual desses dois níveis essas pessoas possuem?

Vamos dar um passo atrás e partir do início. O que é S&OP?

O Planejamento de Vendas e Operações é o conceito de alinhar Produção e Logística com as Vendas esperadas, ao invés de ter Produção e Vendas trabalhando individualmente e a Logística resolvendo as inconsistências entre elas por preços muito altos.

Essas três áreas precisam estar alinhadas. Se a área de Produção irá fabricar muito de um produto, porque é mais barato fazê-lo no momento, então as promoções no lado de Vendas para empurrar este produto precisam estar preparadas. E os processos logísticos precisam estar alinhados a fim de levar isso ao mercado a tempo e a níveis de custo normais. Do mesmo modo, se você pretende vender em uma determinada área onde não vendia antes, isso pode aumentar o seu custo por tonelada, então pode ser uma oportunidade estratégica.

Então o que podemos dizer sobre o futuro de S&OP? Vamos pensar além disso!

Atualmente, a indústria de Bens de Consumo é bastante baseada em pedidos, o que significa que nós nos surpreendemos todos os dias com esses pedidos e eles não são muito flexíveis. No futuro, isso será cada vez mais como um processo de Vendor Managed Inventory. Isso significa que, baseado no histórico de consumo em um determinado cliente e nas tendências macro em todos os clientes, você sabe quando e como este cliente está vendendo e como ele continuará vendendo. A pergunta é: por que o varejista deveria se preocupar com o estoque dele? Você quer que ele venda os seus produtos, então é do seu interesse garantir que ele os tenha em estoque. Ele precisa se preocupar em vender os seus produtos e para fazer isso, são necessários uma loja e produtos. Se ele fornecer dados de vendas em tempo real, é possível prever as necessidades dele. Caso ele não o faça, é possível realizar essa previsão baseada no histórico de vendas.

À medida em que os algoritmos se tornam mais sofisticados, eles lentamente substituem as Vendas. Este conceito tem sido uma prática comum na distribuição de Petróleo e Gás por cerca de 15 anos, porque em muitos lugares, os clientes pagam pelo combustível somente quando o tiram do tanque, assim o estoque no tanque ainda pertence ao distribuidor. Isso poupa gastos na Logística e os contatos comerciais se tornam cada vez menos necessários.

Para os varejistas, esta seria uma tendência fácil de implementar, porque eles também ‘possuem’ o estoque, tanto no CD quanto na loja (já que são os proprietários da loja). No entanto, a maioria ainda espera a sua prateleira ficar vazia para enviar um pedido ao armazém central, quando seria muito mais eficiente se o armazém central soubesse que as prateleiras estão começando a esvaziar e enviasse um caminhão com o pedido que eles precisam.

A outra tendência é produzir de acordo com os pedidos do cliente. Na indústria de Bens de Consumo, por exemplo, você pode montar paletes cheios, mas somente cerca de 20% dos seus clientes sequer os solicitam, eles são 50% do seu volume. Para os outros 50%, fazer o mesmo soa como uma perda de tempo e energia. Como funciona agora: primeiro você produz até seis camadas e então os pickers precisam reduzir isso novamente para três, porque você não tem nenhum cliente que peça mais do que três camadas deste produto. Isso, claro, significaria que eventualmente você estará produzindo os pedidos do seu cliente, não no picking em frente a doca, mas na fábrica onde a maioria deste já é automatizado. E então, você moverá esse processo para a sua armazenagem automatizada para reduzir os custos de mão de obra e aumentar os seus níveis de serviço.

Para a produção de Petróleo e Gás, isso é muito mais simples, porque há menos produtos e quase nenhum trabalho manual envolvido na movimentação, Para os Varejistas, isso á mais complexo e parecido com a tendência anterior. Os negócios da indústria de Bens de Consumo possuem de 100 a 1000 SKUs, enquanto os do Varejo possuem de 2000 a 100.000, então produzir paletes perfeitos e ter uma previsão perfeita é muito mais difícil. Com Pesquisa Operacional e as tendências de Big Data, no entanto, isso rapidamente será uma realidade.

Essas tendências nos levam a pergunta: se você pode prever e otimizar tudo e se a maioria das ‘ações periféricas’, como faturamento, impostos e contabilidade, são um resultado lógico de tudo isso, por que você precisaria de um ERP?

Ler também: A sua logística ainda está congestionada?

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Bart van Beuzekom
Bart van Beuzekom is Director at ORTEC Latin America.

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